«Sou mãe e agricultora e tenho 9 ideias sobre alimentação a partilhar consigo»

Por Sarah Schultz

Desde o momento em que sabemos que vamos ser pais, a nossa atenção concentra-se em proteger e dar o melhor aos nossos filhos e esse instinto perdura por toda a vida. O nosso primeiro filho nasceu em Janeiro de 2010 e nessa altura criei este blog para partilhar com outros pais a forma como o educamos. Este blog acabou por se transformar num autêntico diário aberto. Continuei a crónica da nossa vida quando engravidei pela segunda vez e foi quando tivemos o segundo filho, em 2012, que me apercebi das mudanças ocorridas, também na visão de outros pais, sobre a forma como alimentam as suas famílias.

Desde que me converti de menina da cidade em esposa de um agricultor e mãe de família, aprendi tudo o que sei hoje sobre alimentação e agricultura com o meu marido, que nasceu numa família de agricultores há quatro gerações, com outros agricultores e através das redes sociais, com especialistas em agricultura. Afligia-me o facto de que muitas mães não confiavam no trabalho dos agricultores e na forma como produzem os alimentos, apesar da tecnologia de ponta que hoje em dia é usada na área agrícola. Senti que devia dar um passo em frente e partilhar o que sei com todos os pais.

Sinceramente, não posso criticar o facto de muita gente ser cética, entendo que assim seja. Na realidade, menos de 2% da população do Canadá vive da agricultura. Há pelo menos três gerações que os canadianos começaram a abandonar o campo, o que explica a falta de ligação da sociedade urbana atual com a agricultura e a forma como se produzem os alimentos. Cada vez mais estamos preocupados em saber de onde veem os alimentos, e isso é excelente. No entanto, o problema que é que na maioria das vezes as pessoas não procuram informação sobre agricultura e alimentação nos sítios certos. É por isso que considero essencial que os agricultores e as suas famílias participem neste diálogo.

Se tem dúvidas sobre a agricultura moderna e a tecnologia que os agricultores usam hoje em dia, gostaria que meditasse sobre estas questões:

9 factos que esta agricultora e mãe quer que saiba sobre os alimentos

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  • Os agricultores não são os “maus da fita” e não contaminam os alimentos

O meu coração fica apertado quando conheço pessoas que pensam desta forma errada, é algo que me preocupa. E há mesmo quem pense e acuse os agricultores de contaminar os alimentos e de usar substâncias químicas tóxicas nas culturas. Além de preocupante, esta visão desrespeita quem trabalha a terra. Passo a explicar porquê.

Ora vejamos: faz sentido pensar que os agricultores, a nível mundial, estão interessados em produzir alimentos contaminados com substâncias tóxicas? Matar os clientes não é propriamente a melhor estratégia de sucesso num negócio! A esperança média de vida da população a nível mundial aumentou significativamente e os agricultores são hoje em dia capazes de produzir mais alimentos num espaço cada vez menor, pelo que o argumento em questão não faz qualquer sentido!

  • Os agricultores criam as suas familias onde trabalham

Se há alguém que corre riscos de exposição a pesticidas, às substâncias químicas e qualquer outra coisa que os consumidores possam recear são os agricultores e as suas famílias. A nossa casa está rodeada de campos onde crescem culturas que necessitam de fertilizantes, de sementes tratadas e de pesticidas, e no entanto, sabemos que este meio é seguro para criar os nossos filhos. Seguimos as normas de segurança estabelecidas, não deixamos que os nossos filhos brinquem num campo acabado de tratar, tal como não os deixamos entrar numa banheira que acaba de ser lavada com lixivia, protegendo-os dos perigos do senso comum.

  • Os agricultores comem os alimentos que produzem

Não temos outros terrenos onde cultivamos alimentos “não contaminados” para as nossas famílias; comemos a mesma comida que qualquer cidadão comum: colhemos ervilhas quando estão maduras, ceifamos o trigo e com ele fazemos farinha que se transforma em deliciosos bolos integrais. Que não restem dúvidas: consumimos os alimentos que produzimos na nossa quinta.

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  • Os agricultores são livres de cultivar o que quiserem

Os agricultores têm à sua disposição muitas opções, podem escolher as culturas que entendam mais adequadas e compram as sementes, os fertilizantes e os pesticidas ondem consideram ser mais conveniente. Ninguém pode obrigar um agricultor a produzir de modo convencional, biológico ou outro. Ele é livre de escolher.

  1. Há menos agricultores e explorações agrícolas de maior dimensão

Na atualidade os agricultores são cada vez em menor número, pelo que têm que produzir mais alimentos do que os seus antecessores. Creio que não seria possível produzir mais alimentos, com menos gente dedicada à agricultura, sem utilizar tecnologias como as sementes OGM ou os pesticidas. Não são obrigatórias, mas tratam-se de ferramentas essenciais na agricultura atual e que não devem ser temidos nem diabolizados pelos ativistas preocupados com a alimentação. Em 1900 um agricultor produzia alimentos para abastecer 10 pessoas, hoje em dia um agricultor médio produz alimentos suficientes para abastecer 120 pessoas.

  • Os alimentos são seguros, diversos e abundantes

Esta é a mensagem que pretendo realmente que entenda. Em 2014, foi noticiado que o Canadá e a Irlanda possuem o sistema alimentar mais seguro do mundo. Somos privilegiados por poder viver num país que oferece os alimentos mais seguros. Isto não significa que todos os outros países são “inseguros”, mas quero sublinhar a sorte que nós canadianos temos ao viver num país que produz alimentos extremamente seguros. Embora existam grupos de lobby que tudo farão para convencê-lo do contrário.

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  • Não há apenas uma forma de trabalhar a terra

Quando alguém tenta demonstrar que há apenas uma forma de trabalhar a terra, desprestigia os restantes agricultores e cria tensão e fricções na comunidade agrícola. Podemos afirmar com total convicção que a agricultura que praticamos na nossa quinta é a melhor na nossa perspetiva, mas isso não significa que os nossos vizinhos ou qualquer outra pessoa estejam a proceder erradamente. A diversidade na agricultura é extraordinária e os diferentes modos de produção (convencional, biológico, mistos, etc) têm muito a aprender uns com os outros. Se o objetivo é ser sustentável e melhorar a qualidade do solo, porque pretenderíamos que uma modo de produzir é melhor do que o outro? Podemos trabalhar juntos, trocar ideias e aprender uns com os outros para fazer cada vez melhor.

  • Devemos respeitar as escolhas alimentares dos outros

Eu respeito aqueles que optam por seguir uma dieta alimentar estritamente à base de produtos biológicos, sem alimentos geneticamente modificados. Neste país há essa opção e esse privilégio, enquanto em muitos países em desenvolvimento a população não tem acesso a alimentos seguros e acessíveis como nós temos. Sempre defendi que as escolhas no que respeita à alimentação devem ser livres, no entanto o problema reside quando outros fazem com que nos sintamos mal com as nossas escolhas alimentares, ventilando informação errada sobre elas. É uma forma de desrespeito pela alimentação e uma atitude incorreta.

  • Não acredite nos sistemas de comercialização

Infelizmente esta é a base do lobby anti-OGM, que leva as pessoas a sentirem-se culpadas com escolhas alimentares perfeitamente seguras. Logram os seus objetivos desinformando sobre a forma como se produzem os alimentos convencionais e incentivando o temor. Lamentavelmente trata-se de um lobby que movimenta vários milhares de milhões de dólares, e não implementado pelo cidadão comum, como muitos pensam.

O que posso sugerir a qualquer consumidor é que faça escolhas inteligentes e que saiba que informação procurar nos rótulos dos alimentos, refletindo sobre o que essa mesma informação significa para si próprio. Uma melancia rotulada como “não OGM”, que significado tem isso para si? E os frangos sem hormonas? Não gaste dinheiro e não faça escolhas apenas pelo rótulo, vá mais além.

Conclusão

Desejo que cada um de nós esteja seguro sobre as escolhas alimentares que faz e que se acabe com o desrespeito pelos alimentos, porque é fundamental perceber que os alimentos que compramos são seguros e abundantes. Se em alguma ocasião tiver dúvidas sobre os alimentos e a forma como são produzidos, dirija-se a quem está diretamente envolvido com a questão e obtenha a informação de fonte segura, não recorra a outras pessoas que se autointitulam especialistas, mas que não têm experiência nem formação em Alimentação ou Agricultura.

Para mais informações: : http://www.nurselovesfarmer.com/2016/01/9-things-this-farm-mom-wants-you-to-know-about-food/

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