«Temos francas possibilidades de aumentar as exportações de batata nacional»

A PORBATATA- Associação da Batata de Portugal une pela primeira vez um setor valioso da agricultura portuguesa e está no terreno para defender e promover a batata nacional. António Gomes, que preside a esta associação, explica o que já foi conseguido e perspetiva o futuro da fileira da batata.

Antonio_Gomes_Porbatata

Que balanço faz do primeiro ano de vida da PORBATATA?

Os primeiros grandes passos foram dados: a constituição dos órgãos sociais, a instalação da sede na Lourinhã e a contratação da Sandra Pereira, como secretária-geral da PORBATATA. Após um ano de existência contamos com 42 empresas associadas de vários subsetores e regiões do país, entre produtores, embaladores e comerciantes de batata para consumo e de semente, indústrias de transformação, entre outros. Investimos em comunicação através de uma newsletter mensal e formámos o Conselho Técnico.

Qual é o papel do Conselho Técnico?

O Conselho Técnico é composto por 15 técnicos que representam os sócios da PORBATATA, são os melhores técnicos de batata em Portugal!  A sua função é apoiar a Direção na tomada de decisões relativas à parte de campo (fitossanidade, nutrição, etc), é uma equipa que tem o seu caminho e autonomia na discussão dos problemas técnicos e procura de soluções. O Conselho Técnico tem reuniões periódicas com a DGAV-Direção Geral de Alimentação e Veterinária sobre problemas fitossanitários que afetam a cultura da batata (Epitrix, Tecia solanivora, “zebra chips”, entre outros). Em conjunto com a DGAV foi criado um plano de monitorização da Tecia solanivora, através da colocação de armadilhas em armazéns de importadores de batata. Esta traça está presente na Galiza e nas Astúrias, por isso estamos muito apreensivos, a sua entrada em Portugal pode ocorrer a qualquer momento.

PorbatataA “zebra chips” é um problema grave?

A doença conhecida por “zebra chips” é causada por uma bactéria qua afeta a batata, transmite-se por um psilídeo e já está presente na região da Cantábria e nas Canárias, em Espanha. Os tubérculos de batata infetados apresentam no seu interior manchas raiadas que quando se procede à sua fritura tornam-se mais pronunciadas, sendo a doença por este facto denominada de “Zebra Chip”.

Há outras pragas e doenças que ameaçam a cultura da batata?

São inúmeras as ameaças fitossanitárias -a sarna prateada, a sarna comum, a rizoctónia, os nemátodos, etc – que afetam a cultura da batata em Portugal. A cada ano surgem novas pragas e doenças e o seu controlo é dificultado pela retirada de substâncias ativas de produtos fitofarmacêuticos da UE. É preciso encontrar formas de luta alternativa (cultural, biológica) e integrá-las com as soluções químicas disponíveis. Temos muita confiança no trabalho do Conselho Técnico da PORBATATA e nas parcerias que leva a cabo, com empresas como a Syngenta. É devido a este trabalho conjunto que conseguimos produzir batata de qualidade e segura para o consumidor em Portugal.

A PORBATATA interveio junto do Ministério da Agricultura para obter apoios ao setor da batata. Qual é o ponto de situação?

Em Agosto, foi anunciada pelo Ministro da Agricultura a criação de uma linha de crédito bonificado, no valor de 3 milhões de euros, mas só foi ativada em meados de Novembro. Destina-se a apoiar necessidades de tesouraria dos operadores do setor da batata e financiar o armazenamento da produção de batata, evitando vendas abaixo do custo de produção. O valor individual garantido é de 60€/ton de batata armazenada. A medida ficou aquém das nossas expectativas.

Quais as ações que a PORBATATA vai levar a cabo em 2018?

Estamos a trabalhar na candidatura a um projeto de internacionalização da batata portuguesa (participação em feiras, etc) e pensamos criar uma marca de batata portuguesa. Pretendemos continuar o diálogo iniciado com APED – Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição para que a origem da batata portuguesa seja identificada de forma clara nos pontos de venda, incentivando a sua compra pelo consumidor.

A PORBATATA está a dialogar com congéneres europeias?

Sim. A primeira reunião entre a PORBATATA, a Fepex e associações regionais espanholas decorreu durante a feira Fruit Attraction, em Outubro, debatemos soluções para travar a progressão de pragas e doenças que afetam a cultura. A reunião foi promovida no âmbito de uma visita ao nosso país, a convite da Porbatata, efetuada pela Secretária Geral da Europatat – European Potato Trade Association, entidade que representa o setor da batata na Comissão Europeia e da qual a Porbatata é sócia. Futuramente, pretendemos delinear com as congéneres espanholas uma estratégia bilateral de promoção e defesa da batata primor.

Qual deve ser o posicionamento estratégico da batata portuguesa no mercado internacional?

Continuamos a ter uma janela de oportunidade, nos meses de Maio e Junho, para exportar batata primor com muita qualidade para o Centro e Norte da Europa e devemos estudar mercados alternativos (África, América Latina, Médio Oriente). Nos últimos anos, o problema do Epitrix originou a redução dos volumes exportados, mas vamos provar à Europa que o Epitrix não representa uma ameaça e garantir que não condiciona as nossas exportações. A PORBATATA está a realizar um trabalho para demonstrar aos importadores que esta praga é fácil de controlar e que está geograficamente limitada à Península Ibérica. Outro segmento com potencial de crescimento é o da batata para indústria. Nas últimas campanhas foram exportadas umas boas toneladas de batata para indústrias espanholas e francesas. Se garantirmos a estabilidade da qualidade da batata que exportamos, temos francas possibilidades de aumentar as exportações de batata para indústria.

O consumo de batata em Portugal é estimado em 93,1 kg per capita (total de 963.000 toneladas), com um aumento do consumo de batata transformada…

É óbvia a tendência de aumento do consumo de batata descascada, pré-frita, em chips, etc, embora muito do valor deste mercado derive de importações, pois a indústria nacional infelizmente tem uma dimensão reduzida e apenas produz chips.

Como se perspetiva a próxima campanha de batata, após os baixos preços que afetaram o mercado em 2017?

Há muita batata armazenada por toda a Europa, é certo que os nossos concorrentes – sul de Espanha, Norte de África, Médio Oriente – vão reduzir a área plantada em 2018, mas continuará a haver procura de batata nova na Europa. Algumas empresas portuguesas já firmaram contratos de abastecimento com importadores europeus para a próxima campanha, poderá haver mais batata portuguesa exportada para a Europa em 2018 do que em 2017.

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