«A Produção Integrada dá ao agricultor uma boa arma, mas com poucas munições»

José Andrés Aparicio, consultor especializado em olival, dá alguns conselhos para a boa gestão desta cultura permanente.

José Andrés Aparicio na Jornada Formativa Syngenta sobre olival e ação de lançamento do novo herbicida Minsk, em Beja, em Março 2018

O fenómeno de safra e contra-safra persiste, apesar da modernização dos olivais e dos métodos produtivos. Porquê?

Nunca encarei o fenómeno da safra e contra-safra como algo aceitável. Num olival regado, onde se ponham em prática boas técnicas de fertilização, de gestão do solo, de rega e um adequado controlo de pragas e doenças, não há justificação para ocorrer a safra e contra-safra, exceto em caso de acidente climatológico.

Quais são os problemas fitossanitários que mais prejuízos causam nos olivais de Portugal e Espanha?

Em Portugal, o principal problema fitossanitário e que mais prejuízos causa é, sem dúvida, a  gafa (C.Gleosporoides). Em Espanha, os problemas fitossanitários variam consoante as regiões de produção. Em Jaen, a variedade Picual tem problemas com Verticillium D, e nas zonas onde se produz a variedade Hojiblanca, a gafa é o principal problema.

As estratégias de proteção do olival contra pragas e doenças adotadas pelos agricultores são as corretas? O que há a melhorar?

A maioria dos agricultores  aplicam as regras de Produção Integrada. É um passo em frente, mas não é o suficiente.  Pessoalmente, considero que a Produção Integrada dá ao agricultor uma boa arma, mas com poucas munições, em muitos casos limita a produção, especialmente no que respeita à fertilização do olival. Limita-se demasiado o uso de produtos fitofarmacêuticos.

Usar um pesticida genérico ou de marca é igual do ponto de vista da eficácia da proteção do olival?

Um genérico é um genérico. É mais barato, mas não é melhor. A qualidade da formulação,  fundamental para a melhor eficácia dos produtos,  não se consegue com um genérico. Há muitos exemplos em diversos produtos: glifosatos, cobres, piretróides, aminoácidos, etc. Sem qualquer dúvida, posso afirmar, baseado em 47 anos de experiencia pessoal, que os produtos genéricos não são iguais aos originais. E eu usei genéricos.

No olival super-intensivo, quais as estratégias que recomenda para maior sanidade do olival e equilíbrio do ecossistema natural?

O aumento de área de olivar não obriga a mudanças de estratégias, não obstante o agricultor deve:

  • Controlar adequadamente pragas e doenças, realizando os tratamentos a tempo e de forma correta, utilizando produtos adequados e devidamente homologados e de qualidade.
  • Fertilizar corretamente, dando os nutrientes necessários face às necesidades do olival, e realizar análises foliares no momento correto e saber interpretá-las. Fertilizar muito não significa fertilizar bem.
  • Podar de forma equilibrada. Os desequilibrios entre a parte aérea e a parte radicular desequilibram a produção e, obviamente, não se poda de igual forma um olival cuja azeitona se destina a conserva e um olival que produz para azeite.
  • Gerir o solo. Não lavrar, manter o coberto vegetal e saber geri-lo. Não esquecer que se trata de uma técnica.
  • Regar bem. Não se rega melhor, debitando muita agua.

Trata-se de praticar uma agricultura sustentável. Pode ser em Produção Integrada ou não…mas deve ser sustentável.

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